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Exposição “A Arte de Cuidar d’Outros Tempos

A exposição temporária  “A ARTE DE CUIDAR D’OUTROS TEMPOS” decorreu de 13 a 31 de Maio e foi o resultado de uma parceria entre a Associação Nacional de História de Enfermagem – ANHE, o Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História e a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, ESEL, inserida no II Seminário ANHE/ESEL subordinado ao tema: “Aprender a História de Enfermagem – um processo de descoberta” para comemorar o Dia Internacional do Enfermeiro e o 8º Aniversário da ANHE.

A exposição debruça-se sobre a evolução da enfermagem em Portugal e está organizada em dois períodos: o primeiro, aborda a medicina Hipocrática com a teoria dos 4 humores, os profissionais de Saúde (Séc.º XVI), o contributo da assistência psiquiátrica da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus e os acontecimentos relevantes para a história da enfermagem enquadrados com a criação de diferentes instituições e início de certos tratamentos.  O segundo período (décadas de 20 a 50 do Séc.º XX), mostra diferentes momentos do quotidiano de enfermeiros da Casa de Saúde do Telhal através da “arte do cuidar”, enquanto essência e núcleo da prática de enfermagem.

A história dos cuidados à pessoa com doença mental esteve marcada no seu início pela exclusão e abandono. Com o começo da institucionalização da “loucura” em espaços de contenção, a intervenção dos enfermeiros assumiu-se como protagonista nestes processos. As terapêuticas preconizadas no início do século vinte nos hospitais para alienados como: o banho de imersão, o duche escocês, o choque-insulínico, a electroconvulsivoterapia, a malarioterapia ou a leucotomia, manifestamente eficazes para a época, e tiveram sempre o “cuidar” dos enfermeiros.

O progresso terapêutico, na Casa de Saúde do Telhal, onde os cuidados de enfermagem prestados pelos irmãos de S. João de Deus se assumiram como primordiais, sempre teve a preocupação de reabilitar os doentes para a vida social através do trabalho, a par de outros métodos terapêuticos inovadores em cada época.

De forma a dar a conhecer a exposição a um público mais vasto, decidiu-se a partilha dos elementos da exposição no site da Associação Nacional de História de Enfermagem. Abaixo encontram-se os elementos da exposição e a respetiva legenda.

Desde o Renascimento até aos finais do século XVIII, o pensamento médico baseava-se nas teorias de Hipócrates.

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Os profissionais de Saúde (Séc. XVI – XIX)

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Ordem Hospitaleira de S. João de Deus (1580-1834)

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Quotidiano dos cuidados

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Hidroterapia

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

A HIDROTERAPIA foi o processo terapêutico mais utilizado como terapêutica sedativa normal, durante os primeiros anos de existência da CST. Usavam-se sobretudo, dois tipos de banho: O Banho de imersão e o Duche escocês.

No banho de imersão o doente era deitado e mantido numa banheira com água a 37/38º C, imobilizado a uma lona fixa à parte superior da banheira. Esta lona tinha dois orifícios, um para a cabeça outro para o termómetro. O enfermeiro devia molhar frequentemente a cabeça do doente com toalhas de água fria ou com o chuveiro. Os banhos quentes tinham a duração de oito horas;

O Duche escocês era usado em doentes deprimidos. O doente era imobilizado a uma estrutura de ferro no extremo de uma sala, sendo projectado sobre os seus plexos nervosos, fortes jactos de água quente. Quando a pele evidenciava manchas vermelhas, alternava-se com jactos de água fria. De seguida o doente era transportado para a cama.

Fonte:

Ferreira, L. & Jorge L. (2006)      Perspectiva histórica dos cuidados de enfermagem ao doente mental. Ed. Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, E.P.E. Psilogos Vol.03 Nº1 (Jun 2006).

Guedes, N.C. (Coord.) (2009) Museu São João de Deus-Psiquiatria e História. Lisboa. Ed. Espiritualidade Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Ergoterapia

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Os programas ergoterápicos foram utilizados desde os primeiros tempos de existência da CST. O tratamento pela ocupação e o trabalho foi considerado como um dos meios mais valiosos, tendo em vista o tratamento e a reabilitação dos doentes (Pereira, 2015).

Fonte:
Pereira, D. M. B. (2015). Visões da psiquiatria, doença mental e República no trabalho do psiquiatra Luís Cebola (1876-1967). Uma abordagem histórica nas encruzilhadas da psiquiatria, ideologia política e ficção, em Portugal, na primeira metade do Séc. XX. Dissertação de Doutoramento em História, Filosofia e Património da Ciência e da tecnologia. Lisboa: FCT da UNL.

Administração de Terapêutica

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Abcesso de Fixação

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

Nas situações em que a terapêutica ocupacional tinha resultados escassos, os doentes com esquizofrenia em fase de agitação psicomotora eram imobilizados através de meios de contenção ou provocava-se um “abcesso de fixação” (Guedes, N. 2009) (Alves, M.V. 2014).

Nestas situações era injectado no doente 3 a 5 cc de leite ou terbentina, por via IM ou SC, desencadeando febre alta, prostração e desidratação. Deste modo, aliviava-se a agitação, porque o doente se “fixava” mais no sofrimento físico desencadeado pela febre e dor, causadas pela administração do produto e menos no seu sofrimento psicológico (Albano R. & Vitor S. 2013).

Este “abcesso de fixação” mantinha-se durante alguns dias e quando já se encontrava em plena maturação, era aberto para drenar. Este método poderia repetir-se de forma idêntica na outra coxa.

Fontes:

Albano R. & Vitor S. (2013). Contexto histórico da prestação de cuidados de Saúde mental. journalofagingandinnovation.org/pt/volume-1-numero-1-2011/saude-mental/

Alves, M.V. (2014) História da Medicina em Portugal. Lisboa. Porto Editora

Guedes, N.C. (coord.) (2009) Museu São João de Deus-Psiquiatria e História. Lisboa. Ed. Espiritualidade Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Ferreira, L & Jorge, L. (2006). Perspectiva histórica dos cuidados de enfermagem ao doente mental. Ed. Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, E.P.E. Psilogos. Vol.03 Nº1: pg. 61-70

Electroterapia

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

O eletrochoque foi desenvolvido em 1937, pelos médicos italianos Ugo Cerletti e Lucio Bini em doentes esquizofrénicos (Coentre R. & Figueira M. 2009). A técnica consiste na indução de crises convulsivas através da passagem de uma corrente elétrica pelo cérebro com fins terapêuticos. Esta técnica foi adoptada pela CST como prática normal logo nos anos imediatos.

Em algumas situações era utilizada uma terapêutica dupla, isto é, associava-se a insulina e o eletrochoque. Logo após o doente entrar em coma insulínico era-lhe, nesses casos, administrado um eletrochoque (Albano R. & Vitor S. 2013).

Fontes:

Coentre R. & Figueira M. (2009). Electroconvulsivoterapia Mitos e Evidências. Acta Med Port 2009; 22: 275-280.

Albano R. & Vitor S. (2013). Contexto histórico da prestação de cuidados de Saúde mental. journalofagingandinnovation.org/pt/volume-1-numero-1-2011/saude-mental.

Ferreira, L & Jorge, L. (2006). Perspectiva histórica dos cuidados de enfermagem ao doente mental. Ed. Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, E.P.E. Psilogos. Vol.03 Nº1: pg. 61-70.

Administração de glucose por gavagem

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

O choque-insulínico ou insulinoterapia foi muito utilizado na CST no tratamento das psicoses, principalmente em doentes alcoólicos com delírium tremens, desde a sua introdução em Portugal em 1936 (Guedes, N.C. 2009).

Consistia na administração de doses graduais de insulina ao doente (iniciava-se por 10 u até 60 u) em jejum, até induzir o coma. Posteriormente, era administrada uma solução açucarada por gavagem para recuperar o doente do coma. Quando esta terapêutica não resultava, optava-se pela administração de 20 a 40 cc de soro glucosado hipertónico, por via endovenosa. A administração por gavagem apresentava resultados melhores para o doente, sendo descrito, um acordar mais suave e com uma melhor disposição (Albano R. & Vitor S. 2013).

Fontes:

Albano R. & Vitor S. (2013). Contexto histórico da prestação de cuidados de Saúde mental. journalofagingandinnovation.org/pt/volume-1-numero-1-2011/saude-mental/

Guedes, N.C. (coord.) (2009) Museu São João de Deus-Psiquiatria e História. Lisboa. Ed. Espiritualidade Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Helioterapia, serviço de pediatria, no Hospital Infantil de S. João de Deus, em Montemor-o-Novo.

Acervo do Museu S. João de Deus – Psiquiatria e História

O Sol desde sempre foi considerado fonte da vida terrestre. Os seus efeitos podem dividir-se, em benéficos e prejudiciais. No conjunto dos efeitos favoráveis da luz solar sobre a pele humana sobressai a ação antirraquítica, decorrente da síntese epidérmica da vitamina D, a qual proporciona suporte à vida, equilíbrio orgânico e psíquico e a prevenção da anemia. Em 1906, Afonso Firmino afirmava “todas as doenças (…) se curam ao sol e onde entra o sol, não entra o médico” (Freire e Leony, 2011).

Freire, M. M. L. & Leony, V. S. (2001). A caridade científica: Moncorvo Filho e o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (1899-1930). Hist. cienc. saude-Manguinhos. 2011, vol.18, suppl.1, pp.199-225.

Curadoria

Viriato Moreira (Coord.)

Carmina Montezuma

Luís Lisboa Santos

Óscar Ferreira

Tiago Casaleiro

Parceria

Agradecimentos

Gabinete de Audiovisuais e Multimédia – ESEL

Ordem Hospitaleira de São João de Deus